Beleza, coragem e sorrisos que contam a história do Viver Melhor

No Mês da Mulher, participantes relatam como o projeto trouxe mais brilho às suas rotinas

“Sou uma mulher para frente!”, exclamou sorridente dona Vera, pouco antes de dar o último laço no cadarço e ajustar o uniforme para começar a aula. A energia positiva logo contagia as colegas que frequentam o Ginásio Maria Paula (Vila Dias), em Mogi Mirim, no interior paulista. Lá, e em mais três núcleos espalhados pela cidade – Clube São José, Acojamba (Associação Comunitária Jardim Maria Beatriz) e Ginásio do Tucurão -, acontecem as atividades do Viver Melhor, projeto que é realizado pelo Instituto Família Barrichello e que atua em prol do desenvolvimento físico, cognitivo, motor e socioafetivo de idosos.

A metodologia é dividida em quatro pilares: neuromotor, força muscular, cardiovascular e flexibilidade. Hoje com 56 anos, Vera Lucia Gois conheceu o projeto em 2019. De lá para cá, a dona de casa teve melhoras significativas. “O meu médico meu deu os parabéns, minha coluna está muito melhor”, contou. As dores são reflexo de um longo período em que Vera trabalhou carregando peso. Casada e sem filhos, hoje ela desperta cedo, faz as orações de rotina e prepara o café antes de iniciar as atividades físicas. Depois, limpa a casa, prepara a comida e cuida do marido. Nem sempre foi assim.

Vera começou a trabalhar aos 9 anos. Na infância, aprendeu a colheita, tarefa que deixou de fazer quando tinha 20 anos para ser diarista. Além da exigência física, a vida a ensinou a ser forte mentalmente. “Quando eu tinha 40 anos, mais ou menos, passei a cuidar da minha mãe. Ela sofria com problemas de audição e perda de memória, precisava de muitos cuidados”, falou, revelando o próprio alicerce: “O amor é a base da minha vontade, seja para ajudar a família ou aqui no projeto. É por isso que, assim que eu acordo, já agradeço por abrir os olhos, por respirar, pelo simples fato de andar e falar”, completou.

Vera Lúcia Goes

A força de Vera é uma característica encontrada em muitas das mulheres que frequentam o Viver Melhor. Desde 2019 no projeto, dona Agmar Menandro Maia, 51, leva uma rotina regrada: dorme e acorda cedo para fazer as tarefas do lar. “Levanto às 5h30 e já faço as minhas coisinhas, passo roupa, cozinho e venho aqui (Acojamba). Como eu gosto das aulas, viu! Nossa!”, vibrou. A alegria de dona Agmar é justificada, afinal, após começar as atividades ela finalmente pôde deixar de lado os remédios que tomava para aliviar as dores. “Eu já fiz muito esforço nas faxinas, trabalhei muito tempo com isso e gerou um desgaste. Nas aulas encontrei um estímulo, além de poder interagir, fazer amizades. É uma benção”, afirmou.

Casada, ela cuida do lar enquanto o marido trabalha – e muito, diz a dona de casa. Mas engana-se quem pensa que Agmar se limita à vida caseira. Assim como Vera, ela é ‘para frente’. “Hoje as mulheres estão se impondo e isso é algo muito bonito. A geração que está vindo é melhor que a anterior, pois antes as mulheres eram muito caladas. No projeto, o convívio entre mulheres é muito gostoso, estar juntas é um privilégio. Eu pulo, me sinto livre”, disse Agmar, que se define como uma mulher determinada. “Quando pego algo para fazer, quero fazer bem feito. Vou no meu limite, mas chego aonde eu quero no meu passinho (risos)”, brincou.

Companheira de núcleo de Agmar, a manicure tem 67 anos e é um caso à parte: no Acojamba, ela é a aluna engraçada que faz todo mundo sorrir, inclusive quando é perguntada sobre o que mais gosta das aulas. “Eu adoro a parte aeróbica. Os professores quase matam a gente, mas é ótimo! (risos)”, contou. Mais séria, ela admite que o que a faz feliz é sentir o corpo em movimento e, principalmente, a convivência com as colegas. De acordo com Edina, o projeto dá a ela a força psicológica necessária para a terceira idade. “Se parar aqui, paro com tudo”, definiu.

“As aulas são muito especiais para mim, fico sentada muito tempo no meu trabalho. Aqui, eu destravo o corpo”, destacou a manicure, que tem hábitos diferentes das amigas de Viver Melhor. “Eu não durmo cedo, mas as atividades aqui ajudam a controlar o sono”, relatou. Casada e mãe de dois filhos, que também já se casaram, Edina vive com o marido e nunca teve outra profissão. No passado, porém, teve de se desdobrar para cumprir diferentes funções. “Quando meus filhos eram pequenos, foi super difícil. Eu precisava do dinheiro, pois o meu marido não tinha um bom salário. Era um esforço danado para dar conta do serviço e dos filhos. Mas é isso que me fez mais forte. Sempre fui uma mulher de fibra. Hoje, percebo que as mulheres estão cada vez mais fortes”, falou Edina, completando com um conselho. “As mulheres têm que aproveitar ao máximo as oportunidades. Na minha vida, uma dessas grandes oportunidades é o projeto Viver Melhor”, concluiu.

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